Imagem da internet

Letras na Sopa

Eis que! Cá estamos eu, eu mesmo e outros eus, não bem aqui, mas assim de lado, de refúgio ou refluxo de ideias, por graça e força de muitos uns e zeros, na aparente essência de letras, acentos, pontuações e espaços num ensopado virtual.

Chego sem pedir licença nem permissão, apenas por ocasião de. E vou tentando navegar o rio de sons e imagens que corre dentro de mim, fluindo por entre tempos, brechas, sustos e sopros, numa espiral rumo a uma galáxia distante cujo centro está no meio do peito.

Obscuro? Não, apenas um arroubo poético, quase patético, para afinar o tom. Quem quiser ler, quiçá. Qui sait? Não prometo assiduidade, simpatia ou samba-no-pé. Apenas expressão de desejos literários: ler, ter, vários. A quem abrir esta página, um pedido: se gostar, comente e recomende; se não gostar, poetize.


Vicente Saldanha

domingo, 17 de janeiro de 2010

A dama de vermelho

Vermelho fogo, de um ruivo intenso e profissional, era seu cabelo volumoso. Vermelho escarlate, o vestido justo que lhe moldava as formas do corpo. Vermelho rubi, o batom que avolumava os lábios entreabertos. Vermelho carmesim, o sapato de verniz lustroso ao lado do corpo inerte como uma marionete no chão.
Vermelho quente e viscoso escorria do buraco de bala em seu peito.

(Miniconto produzido na Oficina de Criação Literária ministrada por Marcelo Spalding no UniRitter no segundo semestre de 2007.)



Um comentário:

"A VIDA COMO NÃO A TEMOS" disse...

Gosto que me enrosco de gente assim, ousada, que não tem medo das construções e das faltas de sentido ou, se tem medo, dribla com elas, atira pra valer, apara-as no peito. Assim fez Rosa no ir e vir dos bons solavancos das palavras, Pessoa com suas múltiplas pessoas. Mas isso ainda diz pouco, Caetano já deu o tom, agora é pra valer.
Vai, Vicent, "vau do mundo é a coragem." É com a arte que a vida se enfeita, se enfeia e se (des)enovela...