Ondas que rastejam, quase submissas, na imensa superfície arfante do mar. Somam-se umas às outras, num balé ritmado e sem fim, acumulando forças numa ondulação crescente. Avançam como um exército sorrateiro, chamam o vento para dar-lhes mais impulso e se erguem qual serpente, armam o bote e finalmente arremetem num ataque suicida, rompem-se nas rochas, cortando seus ventres nas lâminas frias das rochas.
Ondas que avançam ferozes sobre a areia, desenrolando seu próprio sal, e deixam uma lâmina de seu caldo. O sumo penetra suavemente entre os grãos e a vida por um instante se estende em pequenas formas a correr agitadas, para em seguida desaparecerem. O poderoso mar suspira e recua de sua fúria, dizendo volto em breve, me aguarda, terra, ainda não viste nada. E novamente o caldo impetuoso, esbravejando e bufando, borbulhando sua espuma raivosa; desenrola-se o tapete esbranquiçado e se desfaz de encontro com a arenosa prancha. A ira do deus-mar estronda no golpe e de novo se recolhe, o rastro brilhante e salpicado de luz. Resta um cordão de espuma, delineando o avanço do braço do poderoso oceano, a cor uma mistura de água borbulhante e areia.
Ondas que crescem da superfície animada, ganham volume, se erguem buscando o céu, tomam forma, imensas bocas que se abrem num urro profundo e terrível, e no auge de sua força tropeçam sobre suas irmãs e despencam num brado convulso e são engolidas por sua imensa mãe.
Adiante, o infinito respira em ondas gigantes e suaves, de andar lento e antigo. O imenso lençol esverdeado acena para cima e para baixo e as ondulações se irmanam até onde se pode ver.
sábado, 23 de janeiro de 2010
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