Imagem da internet

Letras na Sopa

Eis que! Cá estamos eu, eu mesmo e outros eus, não bem aqui, mas assim de lado, de refúgio ou refluxo de ideias, por graça e força de muitos uns e zeros, na aparente essência de letras, acentos, pontuações e espaços num ensopado virtual.

Chego sem pedir licença nem permissão, apenas por ocasião de. E vou tentando navegar o rio de sons e imagens que corre dentro de mim, fluindo por entre tempos, brechas, sustos e sopros, numa espiral rumo a uma galáxia distante cujo centro está no meio do peito.

Obscuro? Não, apenas um arroubo poético, quase patético, para afinar o tom. Quem quiser ler, quiçá. Qui sait? Não prometo assiduidade, simpatia ou samba-no-pé. Apenas expressão de desejos literários: ler, ter, vários. A quem abrir esta página, um pedido: se gostar, comente e recomende; se não gostar, poetize.


Vicente Saldanha

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ondas

Ondas que rastejam, quase submissas, na imensa superfície arfante do mar. Somam-se umas às outras, num balé ritmado e sem fim, acumulando forças numa ondulação crescente. Avançam como um exército sorrateiro, chamam o vento para dar-lhes mais impulso e se erguem qual serpente, armam o bote e finalmente arremetem num ataque suicida, rompem-se nas rochas, cortando seus ventres nas lâminas frias das rochas.

Ondas que avançam ferozes sobre a areia, desenrolando seu próprio sal, e deixam uma lâmina de seu caldo. O sumo penetra suavemente entre os grãos e a vida por um instante se estende em pequenas formas a correr agitadas, para em seguida desaparecerem. O poderoso mar suspira e recua de sua fúria, dizendo volto em breve, me aguarda, terra, ainda não viste nada. E novamente o caldo impetuoso, esbravejando e bufando, borbulhando sua espuma raivosa; desenrola-se o tapete esbranquiçado e se desfaz de encontro com a arenosa prancha. A ira do deus-mar estronda no golpe e de novo se recolhe, o rastro brilhante e salpicado de luz. Resta um cordão de espuma, delineando o avanço do braço do poderoso oceano, a cor uma mistura de água borbulhante e areia.

Ondas que crescem da superfície animada, ganham volume, se erguem buscando o céu, tomam forma, imensas bocas que se abrem num urro profundo e terrível, e no auge de sua força tropeçam sobre suas irmãs e despencam num brado convulso e são engolidas por sua imensa mãe.

Adiante, o infinito respira em ondas gigantes e suaves, de andar lento e antigo. O imenso lençol esverdeado acena para cima e para baixo e as ondulações se irmanam até onde se pode ver.

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