Um balão cruza o céu, sozinho, voa solo, levado pelo vento,
dança sob o fundo de nuvens,
se esconde atrás das copas das árvores,
aparece, desaparece, aparece novamente
e some em sua viagem rumo ao nada.
O balão não sabe que existe,
Mas se soubesse estaria contente em poder voar,
Vendo as formas e cores abaixo,
Árvores prateadas, cachorros dourados, telhados verdes, famílias azuis, ciclistas verdes, namorados vermelhos, automóveis lilazes, postes cor-de-rosa
– e alguma pomba pousada na cabeça de um general.
O balão se sentiria livre na leveza do seu voo,
No frescor do vento inconstante.
Sentiria falta de seu bando? (balões coloridos, mudos, porém solidários no suporte)
Sentiria falta da mão da criança faceira e falante, contente com seu balão – e o deixara escapar?
Ou da garota que o ganhara de presente do namorado, tímida e romântica e, distraída, o deixara soltar?
A criança e a garota sentiriam falta de seu presente voador
e o vendedor de balões, caso o balão se tivesse desprendido, também sentiria sua falta, prejuízo de gás e balão.
Mas o balão voa
e não sabe para onde voa,
flutua por entre prédios e postes e árvores
num balé claudicante.
E assim seguirá, levado pela brisa,
até seu fim por bico ou ponta ou pressão.
Então será borracha colorida caída sobre galho ou fio de luz,
ou talvez, por milagre, caia na calçada ao lado da criança que antes o teve, agora entretida com um algodão-doce.
A criança gritará meu balão!
mas ele já não poderá responder
com sua cor e sua dança.
Não mais balão,
um emaranhado inerte e sujo de látex e barbante.
sexta-feira, 12 de março de 2010
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